
O turbocompressor é um equipamento fundamental que complementa, sobretudo, os motores de combustão interna, aproveitando a energia térmica e cinética produzida pelos gases de combustão desperdiçados pelo motor, para injectar oxigénio na câmara de combustão. Essencialmente, o turbo é composto por um par de rotores ligados num único eixo, girando de um dos lados como turbina e do outro como compressor.
Trata-se dum equipamento que tem a vantagem de ser muito leve, mas que pode aumentar significativamente a potência dum motor. O turbocompressor encontra-se ligado ao colector de escape, aproveitando a energia dos gases para fazer girar a turbina. Com o aumento da densidade do ar resultante da acção de compressão, pode ser injectado mais combustível na câmara, o que na prática resulta num aumento de potência motriz.
A introdução de turbocompressores nas gamas de camiões e autocarros é uma prática que se foi generalizando a todos os construtores de veículos pesados a partir dos anos oitenta. As novas tecnologias turbo têm de responder a um conjunto de novas exigências de mercado, nomeadamente ao nível das emissões de gases, consumo combustível, performance e redução de dimensões físicas.
Os motores de camião e autocarros de últimas gerações utilizam sistemas de injecção de combustível de alta pressão que, combinados com turbocompressores, garantem um processo de combustão mais completo, eficiente e limpo. As tecnologias turbo aumentam a eficiência do combustível, conferem mais potência e binário disponível, e reduzem os níveis de CO2 e NOx. Nos veículos com motores diesel, os turbos são directamente responsáveis até 40% na redução do consumo combustível.
O crescimento da incorporação de turbocompressores no mercado automóvel apresenta números impressionantes, atingindo nos dias de hoje uma média anual de cerca de 10%. Até 2020, a indústria automóvel prevê que cerca de 85% dos veículos europeus estarão equipados com turbos.
Tipos mais comuns de turbocompressores
O mercado de veículos comerciais recorre fundamentalmente a dois tipos distintos de tecnologias: os turbos de geometria variável (TGV) e os convencionais (VGT), utilizando estes últimos uma válvula wastegate.
Os turbos de geometria variável foram introduzidos nos pesados a partir de meados da década de noventa e já vão na sua terceira geração. O seu princípio de funcionamento é baseado na variação da secção de passagem dos gases de escape, provocada por um conjunto de alhetas móveis que se fecham a baixas rotações para conseguir a máxima compressão do ar e aumentar a velocidade dos gases de escape.
A principal desvantagem dos turbocompressores convencionais prende-se com o facto de apresentarem alguma demora entre a solicitação do pedal do acelerador e a resposta do turbo, uma vez que apenas conseguem criar uma sobrepressão significativa a partir duma determinada gama de rotações.
Manutenção adequada pode evitar surpresas desagradáveis
A falta de potência, a dificuldade no arranque e a emissão de fumos são os primeiros sinais de anomalias no turbocompressor. Muitos destes problemas resultam duma manutenção inadequada ou de condições de funcionamento em ambientes particularmente severos.
A pressão insuficiente ou o entupimento na tubagem de alimentação de óleo pode conduzir a uma falta de lubrificação, podendo provocar o desgaste dos casquilhos ou até mesmo a ruptura do veio.
A presença de matérias estranhas no turbocompressor pode provocar a danificação das alhetas do compressor ou da turbina. Também o doseamento excessivo de combustível nos injectores é passível de conduzir a temperaturas extremas nos gases de escape e a uma consequente carbonização do óleo.
Apesar dos turbos serem concebidos para durar tanto como os motores a que se destinam, recomenda-se a utilização de óleos e combustíveis de qualidade, para além da substituição do óleo e dos filtros de acordo com as recomendações do fabricante do veículo, tanto em condições normais de utilização como severas. Também o bom estado de conservação de mangueiras e tubagens deve ser verificado regularmente numa oficina especializada.
Alerta-se ainda para um outro problema emergente nos últimos anos, que se prende com a invasão no mercado de reposição de turbos não genuínos, de origem sobretudo asiática. Os riscos potenciais associados à aquisição destes equipamentos são inúmeros, e traduzem-se na redução da performance dos veículos, no aumento do consumo combustível e das emissões poluentes, ao nível da segurança e nos problemas gerados por conflitos com os sistemas electrónicos de gestão do motor, podendo mesmo colocar o motor em risco e obrigar a dispendiosas reparações. No mercado de reposição recomenda-se sempre a aquisição de turbos originais (OE).
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